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João Picasso
@joaopicasso

Sobre

Um artista é, de modo geral, uma pessoa envolvida na produção de arte, no fazer artístico criativo. No entanto, essa definição tem variado imensamente ao longo dos séculos e nas diferentes culturas, e seu conceito está diretamente ligado ao conceito de arte, igualmente controverso e variável. Pesquisas científicas tem consistentemente falhado na tentativa de enquadrar o que se entende por artista dentro de parâmetros fixos e de valor universal, mas isso não impede que as tentativas continuem a se multiplicar.[1]

Catálogo de exposições

Em tempos pré-históricos, quando os primeiros seres humanos começaram a deixar pinturas em cavernas e criar esculturas e adornos pessoais, acredita-se que o artista devia ser uma espécie de xamã, usando tais objetos para funções religiosas ou mágicas, mas é possível que mesmo em tempos remotos já se praticasse arte de maneira muito mais complexa, de certa forma semelhante à de hoje, entendendo-a como um painel onde se projetavam imagens e pensamentos importantes para aqueles povos.[2]

Segundo escritores célebres como Platão e Aristóteles, na Grécia Clássica os artistas em geral eram considerados simples técnicos qualificados, trabalhadores mecânicos,[3] ainda que se reconhecesse que seu trabalho exigia criatividade, inteligência e capacidade de organização.[4][5] Esta impressão se cristalizou, mas pesquisas recentes sugerem que a situação pode ter sido diferente. Segundo relatos antigos, os escultores, por exemplo, eram muito respeitados como criadores que obras que pareciam vivas,[3] mas não havia sequer uma palavra para designar arte, e o termo usado, “tecnhê”, significava apenas técnica ou habilidade para realizar algo de acordo com um plano e regras definidas, sendo aplicável a qualquer atividade produtiva.[6]

Exposições colectivas

Seja como for, naqueles tempos a arte já era objeto de grande interesse teórico — foi ali que surgiu o embrião da Estética como um ramo autônomo da Filosofia[7] — e era submetida a uma série de regras convencionadas coletivamente, que identificavam beleza com perfeição, harmonia e virtude, enfatizavam a preocupação ética e social, estabeleciam rígidas hierarquias de valor e tinha um caráter idealista. Punha-se os artistas a serviço do Estado, da Religião e das elites como veículos das ideologias dominantes, trabalhando em obras que tinham, entre outros objetivos, o de desempenhar uma função social educativa e moralizadora, num período em que a população era em grande parte analfabeta. Explica-se assim a função social que se esperava para a arte e a obediência aos cânones consagrados que se esperava dos artistas.[8][9][10][11]

Bibliografia

Esta situação permaneceu mais ou menos inalterada até o Renascimento, quando se iniciou uma grande recuperação dos valores do antigo Classicismo. Os artistas em geral ainda estavam submetidos a um complexo conjunto de princípios técnicos e estéticos rigorosos, estudados em um longo período de aprendizado nas guildas de artesãos, onde o ensino era informal, e se vinculavam fortemente à tradição deixada por mestres consagrados. Para eles, o exemplo dos melhores artistas era um padrão a ser observado e imitado, a fim de que as novas obras atingissem o mesmo patamar de qualidade encontrado na produção mais prestigiada.[12][13][14] Estas ideias não eram novas, mas encontraram uma estruturação formal inovadora com o surgimento do academismo, uma metodologia de ensino sistemática e graduada, semelhante à das universidades. Como disse Lilia Schwarcz, o sistema acadêmico, que a despeito de inumeráveis polêmicas manteria seu prestígio até fins do século XIX, revelava um entendimento da arte, à inspiração dos clássicos, como um fenômeno demonstrável e transmissível de acordo com regras precisas, que tinham um caráter quase científico, onde a autoridade de tradição era acatada sem grandes questionamentos. Ao artista cabia unicamente inserir-se nesta corrente dominante ou ficar à margem do mercado.[15]

Prémios

E, de fato, neste momento se iniciava a luta dos artistas pela sua liberdade e independência criativa. Vários fatores contribuíram para isso. De acordo com Pierre Bourdieu, a ênfase na referência ao antigo significava um paralelismo com uma ordem social concebida sobre fundamentos morais, mas o concomitante culto ao virtuosismo técnico serviu para deslocar parte do interesse principal do conteúdo para a forma,[16] e a cada dia se tornava mais difícil concordar com os clássicos no preceito de que a beleza era um valor perene e universal.[17][18] Desenvolvia-se também o conceito de gênio, alguém especialmente favorecido pela natureza e acima das convenções ordinárias, alguém que podia exercer sua criatividade com muito mais desenvoltura.[12]

Créditos

O trabalho das academias, institucionalizando e sistematizando um novo método e realmente revolucionando o antigo sistema de ensino das guildas, muito contribuiu para elevar o status social dos artistas, aproximando-os dos intelectuais, dos humanistas, dos profissionais liberais e mesmo dos profetas, dando-lhes isso também mais autonomia.[12][16]

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Um artista é, de modo geral, uma pessoa envolvida na produção de arte, no fazer artístico criativo. No entanto, essa definição tem variado imensamente ao longo dos séculos e nas diferentes culturas, e seu conceito está diretamente ligado ao conceito de arte, igualmente controverso e variável. Pesquisas científicas tem consistentemente falhado na tentativa de enquadrar o que se entende por artista dentro de parâmetros fixos e de valor universal, mas isso não impede que as tentativas continuem a se multiplicar.[1]

Em tempos pré-históricos, quando os primeiros seres humanos começaram a deixar pinturas em cavernas e criar esculturas e adornos pessoais, acredita-se que o artista devia ser uma espécie de xamã, usando tais objetos para funções religiosas ou mágicas, mas é possível que mesmo em tempos remotos já se praticasse arte de maneira muito mais complexa, de certa forma semelhante à de hoje, entendendo-a como um painel onde se projetavam imagens e pensamentos importantes para aqueles povos.[2]

Segundo escritores célebres como Platão e Aristóteles, na Grécia Clássica os artistas em geral eram considerados simples técnicos qualificados, trabalhadores mecânicos,[3] ainda que se reconhecesse que seu trabalho exigia criatividade, inteligência e capacidade de organização.[4][5] Esta impressão se cristalizou, mas pesquisas recentes sugerem que a situação pode ter sido diferente. Segundo relatos antigos, os escultores, por exemplo, eram muito respeitados como criadores que obras que pareciam vivas,[3] mas não havia sequer uma palavra para designar arte, e o termo usado, “tecnhê“, significava apenas técnica ou habilidade para realizar algo de acordo com um plano e regras definidas, sendo aplicável a qualquer atividade produtiva.[6]

Seja como for, naqueles tempos a arte já era objeto de grande interesse teórico — foi ali que surgiu o embrião da Estética como um ramo autônomo da Filosofia[7] — e era submetida a uma série de regras convencionadas coletivamente, que identificavam beleza com perfeição, harmonia e virtude, enfatizavam a preocupação ética e social, estabeleciam rígidas hierarquias de valor e tinha um caráter idealista. Punha-se os artistas a serviço do Estado, da Religião e das elites como veículos das ideologias dominantes, trabalhando em obras que tinham, entre outros objetivos, o de desempenhar uma função social educativa e moralizadora, num período em que a população era em grande parte analfabeta. Explica-se assim a função social que se esperava para a arte e a obediência aos cânones consagrados que se esperava dos artistas.[8][9][10][11]

Esta situação permaneceu mais ou menos inalterada até o Renascimento, quando se iniciou uma grande recuperação dos valores do antigo Classicismo. Os artistas em geral ainda estavam submetidos a um complexo conjunto de princípios técnicos e estéticos rigorosos, estudados em um longo período de aprendizado nas guildas de artesãos, onde o ensino era informal, e se vinculavam fortemente à tradição deixada por mestres consagrados. Para eles, o exemplo dos melhores artistas era um padrão a ser observado e imitado, a fim de que as novas obras atingissem o mesmo patamar de qualidade encontrado na produção mais prestigiada.[12][13][14] Estas ideias não eram novas, mas encontraram uma estruturação formal inovadora com o surgimento do academismo, uma metodologia de ensino sistemática e graduada, semelhante à das universidades. Como disse Lilia Schwarcz, o sistema acadêmico, que a despeito de inumeráveis polêmicas manteria seu prestígio até fins do século XIX, revelava um entendimento da arte, à inspiração dos clássicos, como um fenômeno demonstrável e transmissível de acordo com regras precisas, que tinham um caráter quase científico, onde a autoridade de tradição era acatada sem grandes questionamentos. Ao artista cabia unicamente inserir-se nesta corrente dominante ou ficar à margem do mercado.[15]

E, de fato, neste momento se iniciava a luta dos artistas pela sua liberdade e independência criativa. Vários fatores contribuíram para isso. De acordo com Pierre Bourdieu, a ênfase na referência ao antigo significava um paralelismo com uma ordem social concebida sobre fundamentos morais, mas o concomitante culto ao virtuosismo técnico serviu para deslocar parte do interesse principal do conteúdo para a forma,[16] e a cada dia se tornava mais difícil concordar com os clássicos no preceito de que a beleza era um valor perene e universal.[17][18] Desenvolvia-se também o conceito de gênio, alguém especialmente favorecido pela natureza e acima das convenções ordinárias, alguém que podia exercer sua criatividade com muito mais desenvoltura.[12]

O trabalho das academias, institucionalizando e sistematizando um novo método e realmente revolucionando o antigo sistema de ensino das guildas, muito contribuiu para elevar o status social dos artistas, aproximando-os dos intelectuais, dos humanistas, dos profissionais liberais e mesmo dos profetas, dando-lhes isso também mais autonomia.[12][16]